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[Moda] Modismo escravo

agosto 18, 2011

Confesso que a repercussão do caso da Zara me surpreendeu mais do que a notícia em si. Eu acho isso normal? Não, de jeito nenhum. Acho uma tremenda filha da putice. Mas o que me espantou mesmo foi o movimento criado para boicotar a Zara por conta do caso.

Pessoas revoltados em seu Twitter diziam que não mais usariam as roupas que já compraram na loja, que tiveram nojo e vontade de vomitar por receber a notícia estando vestida com uma peça da marca etc.

Pois é, acho que a tendência agora é todo mundo andar pelado. Porque se for pra boicotar marca que escraviza, cidadão politizado, tu não pode nem usar Riachuello e Marisa, que escravizam pessoas do seu próprio público-alvo pra produzirem suas peças bregas.

 

Abaixo alguns tweets sobre o caso. Não, não coloquei os mimimi.

 

@MestreDosTrago Sacanagem. Os trabalhadores da #zara são os únicos da indústria da moda que não usam a gíria “eu não sou obrigada”.

 

@tito_jo Bom dia pra vc que colocou o despertador 6h e acordou 6h50. Trabalhar 15 horas por dia é foda, viu.  #zara

 

@gmassano Gente, como crianças costuram bem #zara

 

@Deeercy  “Vamos boicotar a #ZARA.” Disse o revolucionário de twitter usando um Nike.

 

@ChicodeAraujo #zara faz um desconto geral de 70% que eu esqueço rapidinho essa coisa de trabalho escravo.

 

@HigorMath A maioria das minhas roupas da #Zara tem etiqueta made in Argentina. Isso é sinal que estou escravizando um argentino? Td tem lado positivo.

 

@CNoberto Quem ainda compraria na #ZARA levante a mão. o/

 

@adiblatif Há um mexicano na minha sala. Vou escravizá-lo e abrir uma rede mundial de Fast Fashion.  #zara #trabalhonaoremunerado

 

@MVS1406 Não vamos nos iludir, se formos a Espanha, provavelmente iremos encontrar brasileiros trabalhando clandestinos pra #Zara também…

@renabonaccini Tô toda trabalhada na #Zara, vou apanhar na rua?

@dicaju7 Em homenagem, estou todo vestido com roupas da #Zara hoje. Não, não estou brincando.

 

@LilloTm Lillo Já que a #Zara saiu dos TT’s, acho que ao amanhecer posso colocar meu sapato nos pés sem dor na consciência!

 

@fabithejoker Trabalhei tanto quanto um funcionário da #Zara e há 3 MESES meu ex-chefe me enrola e não me paga os 2 mil que me deve!

 

@ArthurMarton Escravos de #ZARA jogavam caxangá ♪

 

@MRPIACHESKI #ZARA ME AGUARDE SUA LINDAAAAAAAAAAAA

 

@jrbarbassa São 23h39 e sai da agência agora a pouco. O que é mesmo que vocês estavam falando sobre a #Zara?

 

@WalkenesLagares Espera aí gente, só hoje os hipócritas de plantão acordaram do coma e se viram no capitalismo? #zara

[Trânsito] Como ser um motorista padrão

agosto 12, 2011

 

Falar que o trânsito está insuportável e que só aumenta a dificuldade de locomoção já não tem mais graça. Todos já sabem disso, inclusive as pessoas responsáveis por darem um jeito na situação. Mas como nada é feito, resta a você ser um motorista padrão.

Esqueça toda aquela baboseira que estudou na prova teórica do Detran. O que vale é a prática, observando os motoristas que vão adaptando o trânsito à sua maneira, contribuindo para o bem social.

Portando, se você quer se tornar um motorista padrão, fique atento às dicas e coloque em prática.

 

– Nunca use seta para entrar em alguma rua ou mudar de faixa. O otário que vem atrás que preste muita atenção em você.

– Quando tudo estiver parado, buzine bastante. Ajuda acabar com a morgação que o silêncio proporciona, animando ainda mais as pessoas.

– Esqueça que tem retrovisores. Já diz o ditado para nunca olhar pra trás. O que passou, passou.

– Nunca estacione certo na vaga. Tente sempre deixar a linha divisória embaixo do carro.

– Se não achar vaga, pare atrás de qualquer outro. Com freio de mão, obviamente.

– Sempre que avistar um ciclista pedalando pelo canto, encoste bem muito até ele ir parar na calçada. Pista é pra carro.

– Em casos de sinal amarelo, com muitos veículos parados, continue. Fechar o cruzamento é uma arte.

– Quando notar alguém apressado atrás de você, reduza e ande a 20Km/h;

– Faça bem muito zigue-zague e não deixe que lhe ultrapassem. Pode não ser uma corrida para os outros, mas é para você.

– Quando estiver parado no sinal e um pedestre for atravessar, acelere o carro em ponto morto. Pode parecer que é pra assustar, mas é apenas pra testar a atenção dele.

– Na estrada, lembre-se que tem sempre um acostamento à sua disposição para fugir do congestionamento. Só quem fica na pista são os idiotas.

– Corte caminho sempre. Mesmo que pela contramão ou fazendo manobras proibidas. Tempo vale ouro.

– Nunca leve desaforo pra casa. Se xingarem, desça do carro e bata. Na pessoa e no veículo dela.

[Social] Contradição

agosto 4, 2011

Claro que compreender a sociedade sempre foi um problema complexo. Não começou ontem e nem vai morrer amanhã essa dificuldade de compreender as cabeças desse aglomerado de gente tão diferente e distinta.

Mas de uns tempos pra cá eu tenho notado que as pessoas se contradizem cada vez mais nos seus discursos e não sabem bem o que querem ou defendem.  Pode ser viagem da minha cachola, mas basta parar para se observar os temas mais debatidos do momento, pelo menos aqui no Brasil, para entrar em parafuso.

Dia desses, boa parte da população brasileira comemorava a aprovação da união civil de homossexuais. Mais do que certo. Aliás, isso aconteceu tarde demais até. Finalmente as coisas vão se abrindo para os gays. Dar o cu já está perto de não ser motivo de vergonha. Está mesmo?

Quando você acha que as pessoas já estão encarando isso com a maior naturalidade do mundo, de um dia para o outro não se fala em outra coisa que não seja o cu de Sandy. Qual o espanto? Minha gente, até os padres que estão aqui para servir o senhor, dão a bunda. E outra, este cidadão que vos escreve já tinha adiantado o perfil de Sandy antes. Não acreditou quem não quis.

Mas deixando a sexualidade e o ânus alheio de lado, vamos falar de religião. Alguém consegue entender por que diabo algumas pessoas se referem à macumba demonstrando um certo asco, mas usam camisas de Iemanjá e jogam oferendas ao mar para a mesma? Deve ser porque é moda curtir a entidade. Apesar de ser macumba do mesmo jeito.

Também não é muito difícil ter um amigo que fala que axé é música para quem não tem nada na cabeça e anda de carro tunado (nada contra), mas vez por outra sai de casa vestindo um abadá. Aí, pra não se contradizer, ele solta a balela de “todas as meninas da cidade estarão lá”. Não vai pegar ninguém. Ele curte a música mesmo. Assuma e pronto.

E, amigo, vou dar um conselho. Se é pra ser contraditório, seja assumido. Um tal de PrtScn pode acabar com você em um piscar de olhos.

 

[Comportamento] Gente entrona

julho 22, 2011

Eu não sei por que, mas ainda me espanto com gente cara de pau e má educada. Não consigo me acostumar com aquele filho da puta que tenta furar filha, ou que pega a contramão no trânsito pra ganhar tempo e prejudicar os demais.

Esses são apenas alguns exemplos, mas o que vou contar agora não tem nada a ver e aconteceu hoje, num shopping. Apesar de me dar por vencido, vejo que existem soluções para minar essa galera. Dois amigos me deram aula de como fazer isso.

Eis o acontecido:

Combinei com esses dois amigos, Vera e Verão, para ir almoçar no shopping. Chegamos por volta de 12h30 e, obviamente a praça de alimentação estava um inferno. Tanto pela quantidade quanto pela qualidade das pessoas.

Avistei uma mesa, me sentei e disse para Vera e Verão irem fazer seus pedidos. Enquanto eu os esperava chega uma velha e senta. Ela não pediu, mas apenas avisou que estava ocupando aquele lugar.

– Tem gente, senhora.

– Só um minuto.

– Tudo bem, então.

Eu, ligado que sou, vi que ela esperava o filho pegar as esfihas no Habib’s e assim que saísse o pedido ele também sentaria lá. Mas, antes dele, Vera e Verão retornaram e sentaram para fazer companhia à velha escrota enquanto eu ia pedir o meu.

Voltei e lá continuava a velha. Ao me aproximar, notei que ela foi se preparando para se levantar, e ainda assim comentei que não precisava.

– Pode ficar, senhora. Sento na outra.

Desesperada ela respondeu:

– Não, não precisa. Muito obrigada.

Então, tá. E aí eu sentei e os dois escrotos dos meus amigos começarem a rir.

Eu: qual foi? Vocês falaram merda?

Vera: conta aí, Verão.

Verão: Nada. Só disse que amanhã ia ter uma festa massa.

Vera: ia rolar o que na festa?

Verão: eu disse que ia ser tão boa que não ia ter pó, ia rolar era cocaína mesmo. Que ia cheirar até ter uma overdose.

Vera: e mais o quê?

Verão: umas negas fazendo striptease.

Menos de 30 segundos de conversa e a velha já queria ir embora. Um antídoto um tanto idiota, porém eficaz.  Acho que na próxima ela vai analisar bem em qual mesa sentar pra tentar forçar a barra.

 

Para André (Vera) e Gustavo (Verão).

[Relacionamento] Dia do Amigo

julho 20, 2011

Você pode até ficar enganado com essas baboseiras que escrevem no Twitter e no final colocam #DiadoAmigo. Mas saiba de uma coisa: amigo mesmo não é o que te bajula ou fala coisas meigas, é o que não se incomoda com suas merdas.

Na escola você considera amigo aquele que puxa papo com você sobre os desenhos animados e episódios de Jaspion do dia anterior. Tão legal ter com quem conversar sobre coisas em comum, né? Mas isso não basta. Ele não é seu miguxinho de verdade se não escalar você no time dele só porque você é ruim.

O tempo vai passando e as amizades vão mudando. Os papos já não envolvem desenhos animados e afins. A onda agora é falar sobre bandas, esportes radicais e discutir a demora para o cabelo crescer. Como se entendem. Não, isso não é suficiente. Se eles são amigos mesmo não vão fazer questão de pagar um vinho barato quando o outro estiver liso.

A bronca começa quando eles começam a falar de menininhas do seu interesse. Não adianta você abrir seu coração para o seu brother e ouvir dele “vai lá, dá em cima que ela é gata”, se ele vai ser o primeiro a fazer isso. E o pior, vai pegar o objeto de desejo do “parceiro”. Não, ele não é seu amigo.

Após a furada de olho o próximo passo é ligar para aquele que jamais lhe abandonaria. “Vamos sair pra tomar uma? Preciso conversar.” O cara topa. “Amigo é pra essas coisas”. Depois de muita lamentação e bebida, você é o primeiro a cair bêbado. O que um amigo faz nessa hora? Pede um táxi e leva em casa. O que um filho da puta faz? Deixa o companheiro lá entregue às baratas.

Do que adiantaram aqueles conselhos pra te acalmar? Nada. Amigo não é só bla bla bla, como já dito antes. Amizade é comprovada com atitude. E isso é pro resto da vida. O mais legal dos amigos só vai comprovar tal título quando, mesmo depois dos 50, aceitar você na casa dele depois de um pé na bunda da família.

Portanto, não caia no conto das homenagens bestas no dia de hoje. A não ser que o cidadão já tenha limpado vômito seu.

[Comportamento] Como confiar em quem não fala palavrão?

julho 14, 2011

Essa é uma pergunta muito difícil de responder. Pelo menos pra mim. Aí você aí do outro lado vai querer dizer que não se trata de questão de confiança e sim de educação. Ledo engano. Palavrão exala sinceridade, amigo.

Vou começar com um exemplo bem básico. Político em campanha fala palavrão? Não. Nenhum tem coragem de dizer “eu vou ganhar e botar pra fuder no meu governo”. Isso quer dizer que eles não falam palavrão? Não. Eles falam e muito. Mas, como todos sabem, eles não são sinceros.

Se você está mostrando algo a um amigo seu, e esse negócio é extremamente fuderoso, e o cara solta “que do caramba”, você acha que ele realmente curtiu? Obviamente que não, porra. Caramba é uma palavra que só deve ser cantada e juntamente com “cara” e “caraô”. Só. Um cidadão que curte muito uma coisa vai dizer “que do caralho! Muito foda isso!”. Agora você acredita nele.

E o que falar da TV? Vai entende por que ainda existe esse tabu. Na novela, se o cara pega o bandido e xinga, ele solta palavras como “seu canalha”. Quando está um pouco mais bravo pode alterar para “você é um pilantra”. Aí eu pergunto: isso é tudo que uma pessoa tem a dizer quando está muito puta com alguém? Mais uma vez a resposta é negativa. Na realidade, seu desejo é soltar “filho da puta, você vai ser enrabado por um negão na cadeia”.

Certa vez um cara na pelada perdeu um gol e soltou um “POXA” em alto e bom som. Virou a piada. Claro, o cara está jogando futebol, num ambiente altamente viril, e vem falar “poxa”. Velho, qual o problema com “puta que pariu”? Deixe de ser assim.

Esse último exemplo, além de tudo, expressa a vontade dessa pessoa em falar o palavrão. Mas por vergonha ou por querer parecer certinho, adapta. É o caso mais grave. O cara quer falar e se segura. Resultado: virou o alvo de tiração de onda da galera.

Nunca, meu caro amigo, deixe de expressar um palavrão. A não ser que você deseje não ser uma pessoa confiável para a sociedade. Ela necessita de palavrões.

[Transportes] Purgatório sobre rodas

julho 13, 2011

Se eu tivesse alguma convicção religiosa, em dias como hoje eu teria a certeza de que estou nessa vida pra expiar meus pecados. Porque certas coisas parecem elaboradas friamente por um deus sádico e vingativo só pra sacanear. O transporte coletivo é uma dessas coisas.

Claro, não posso culpar senão os gestores públicos pela precariedade dos ônibus e metrô da cidade, mas quem garante que eles não são emissários desse deus pentelho? Só que o problema não reside apenas na questionável qualidade do serviço; tudo dentro do coletivo tem aspecto de purgatório.

O primeiro desagrado que tive ao entrar no ônibus hoje foi notar que minha carteira estava vazia tão logo subi feliz num dos raros veículos com ar condicionado. Já decepcionado, desci para ir até o banco sacar dinheiro e depois peguei um ônibus cheio e abafado.

A primeira coisa que percebo após passar da catraca foi uma menina de uns dois anos vomitando intensa e initerruptamente por todos os lados, atingindo principalmente seu irmãozinho e mãe. O garoto, compreensivelmente, ficou chateado com o vômito, e apesar de ter se melado da cabeça aos pés, pareceu mais incomodado com o fato de ter sujado seus chinelos do Ben 10.

Sempre que vejo alguém vomitando a minha referência é a Linda Blair em O Exorcista, mas o guri vomitado é que realmente parecia possuído, tinha até uns cortes na cara. Irado, ele prometeu represálias à irmã, que após botar tudo pra fora já estava comendo salgadinhos fedorentos, indiferente às ameaças de “vou vomitar em você também” ditas pelo irmão.

O garoto, ainda bem, não cumpriu a promessa, ao menos naquele momento. Fez pior: anunciou pra mãe que queria fazer cocô. E, sem pudor, encheu as calças.

Desci do ônibus.

Enquanto eu saia, entrou um evangélico vendendo canetas pra arrecadar fundos em prol de uma clínica de reabilitação de usuários de drogas.

Quando Deus quer, é assim.