[Comportamento] Como confiar em quem não fala palavrão?
Essa é uma pergunta muito difícil de responder. Pelo menos pra mim. Aí você aí do outro lado vai querer dizer que não se trata de questão de confiança e sim de educação. Ledo engano. Palavrão exala sinceridade, amigo.
Vou começar com um exemplo bem básico. Político em campanha fala palavrão? Não. Nenhum tem coragem de dizer “eu vou ganhar e botar pra fuder no meu governo”. Isso quer dizer que eles não falam palavrão? Não. Eles falam e muito. Mas, como todos sabem, eles não são sinceros.
Se você está mostrando algo a um amigo seu, e esse negócio é extremamente fuderoso, e o cara solta “que do caramba”, você acha que ele realmente curtiu? Obviamente que não, porra. Caramba é uma palavra que só deve ser cantada e juntamente com “cara” e “caraô”. Só. Um cidadão que curte muito uma coisa vai dizer “que do caralho! Muito foda isso!”. Agora você acredita nele.
E o que falar da TV? Vai entende por que ainda existe esse tabu. Na novela, se o cara pega o bandido e xinga, ele solta palavras como “seu canalha”. Quando está um pouco mais bravo pode alterar para “você é um pilantra”. Aí eu pergunto: isso é tudo que uma pessoa tem a dizer quando está muito puta com alguém? Mais uma vez a resposta é negativa. Na realidade, seu desejo é soltar “filho da puta, você vai ser enrabado por um negão na cadeia”.
Certa vez um cara na pelada perdeu um gol e soltou um “POXA” em alto e bom som. Virou a piada. Claro, o cara está jogando futebol, num ambiente altamente viril, e vem falar “poxa”. Velho, qual o problema com “puta que pariu”? Deixe de ser assim.
Esse último exemplo, além de tudo, expressa a vontade dessa pessoa em falar o palavrão. Mas por vergonha ou por querer parecer certinho, adapta. É o caso mais grave. O cara quer falar e se segura. Resultado: virou o alvo de tiração de onda da galera.
Nunca, meu caro amigo, deixe de expressar um palavrão. A não ser que você deseje não ser uma pessoa confiável para a sociedade. Ela necessita de palavrões.
Tô lendo um livro chamado “Fuck”, que fala justamente sobre isso, o tabu do uso dos palavrões em público e pá. Eu não entendo o que torna um “bastante” mais aceitável que um “pra caralho” num texto qualquer. Uma palavra e uma locução adverbial, normal. Ambos são instrumentos de ênfase, um bem mais eficaz que o outro. Não sei quem definiu o que é puro e o que não é, mas não entendo as pessoas se sentirem tão ofendidas com os so-called ‘palavrões’. Claro que rola uma associação com genitálias e outros órgãos menos ensolarados, mas, fosse assim, ninguém nem mencionaria um “pênis”, “escroto” ou “vagina” num artigo científico.